Inteligência artificial: DOTCOM 2.0 - uma crise financeira ao virar da esquina?

 Não sou uma entusiasta da IA (inteligência artificial)... Mas reconheço que pode ter um contributo interessante ao nível de economizar tempo na realização de determinadas tarefas... e que pode ser um auxiliar interessante na realização de outras como: redigir relatórios, uma apresentação ou discurso numa palestra, criar imagens ou peças para diversas aplicações... mas daí a colocar a IA a fazer o grosso do trabalho humano sem reflectir no seu impacto social e económico ou preparar a humanidade para essa mudança... vai um todo um caminho!

Nos EUA onde a aplicação da IA vai mais avançada está a verificar-se que muitos empresários já a estão a contestar... e começa-se a instalar o boato de que poderemos assistir ao remake da crise DOTCOM. Durante a segunda metade da década de 1990, investidores acreditavam que a Internet revolucionaria a economia. Muitas empresas tecnológicas receberam enormes investimentos, mesmo sem lucros ou modelos de negócio sustentáveis. As ações de empresas ligadas à Internet subiram rapidamente devido à especulação, criando uma bolha financeira. Em março de 2000, o índice tecnológico NASDAQ atingiu o seu valor máximo. Quando os investidores começaram a questionar a rentabilidade das empresas, as ações caíram drasticamente e muitas empresas despediram milhares de trabalhadores e foram à falência.

Muitos analistas comparam hoje o entusiasmo em torno da Inteligência Artificial ao entusiasmo da Internet nos anos 90. No entanto, a diferença é que muitas aplicações de IA já geram receitas e têm utilização prática comprovada, embora exista debate sobre a possibilidade de uma nova bolha tecnológica.

Assisti a um podcast onde o Adrei Jikh  no seu canal no Youtube, apresentou 3 importantes fragilidades a tomar em consideração na aplicação da IA e que poderão desencadear outro evento similar:

1. Exclusividade e concorrência

A base do sistema capitalista assenta no empreendedorismo e na diferenciação de negócios. Fazer diferente e melhor, ou seja, a inovação ao seu melhor nível! É por isso que em muitas empresas os trabalhadores assinam acordos de sigilo e de confidencialidade, pois  a inovação é o motor geracional de riqueza.

Mas com a IA não existe diferenciação, pois se a IA capta e reproduz a tua forma singular de fazer algo, perdes mercado pois o teu modelo de negócio pode ser replicado e aplicado algures, por outras pessoas.

 

  1. Buraco sem fim de dinheiro

A IA tem um modelo de negócio muito diferente do que estávamos habituados. Em negócios do passado com a Microsoft, os custos de investimento em desenvolvimento e planeamento eram absorvidos porque eram sempre os mesmos e à medida que vendiam mais unidades, aumentavam receitas.

Com a IA os custos são ascendentes e assemelha-se à gestão de um restaurante! Há uma necessidade crescente e exigente de chips e de energia para alimentar os data centers. Data centers que estão a ser constetados pelo enorme impacto ambiental (consumos estratosféricos de água para arrefecimento) e não só!

Para além disso até que ponto não estamos a assistir a processos especulativos com as empresas de IA a serem sobreavaliadas? 

A NVIDIA por exemplo está a comprar os próprios chips revelando que não há clientes suficientes, para absorver a produção.

A Microsoft e a Amazon não partilham resultados do investimento em IA o que pode indiciar falta de lucro...

 3- A opção chinesa

O que os EUA investem em desenvolvimento e criação na IA, que os chineses copiam, melhoram e apresentam mais barato para o consumidor final. O produto deles é mais barato porque investem menos dinheiro. 

Este fato vai te

r impacto sério na concorrência, vendas e escalagem das empresas americanas do sector tecnológico! 

Resumindo, a IA ainda tem muitos desafios pela frente e dá para sentir e observar a pressa do poder político e económico em generalizar a sua aplicação (veja-se o caso da bronca da correção dos exames em Portugal). Essa pressa, essa falta de reflexão acerca do seu impacto social, ambiental e económico, será também o que a irá travar! Tenho a certeza disso!

Quando falo em travar, falo em que este atual modelo de implementação vai falhar e esta resposta terá de ser repensada.

O ser humano não necessita de IA. A maior IA já a temos dentro de nós através da partícula divina que habita em nós. 

Ainda nem nos conectamos ao nosso poder pessoal e já estámos a pensar delegar fora de nós (na IA e nos robots) a "solução" para os nossos problemas... 





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